As fabricantes de equipamentos de telecomunicações que ainda operam no Brasil disseram nesta quarta-feira, 19/10, durante a Futurecom 2016, que o risco de extinção de benefícios fiscais da Lei de Informática pode representar o fim da manufatura no país.

Segundo os presidentes de fornecedores de equipamentos de rede como Ericsson e Nokia, a queixa na Organização Mundial do Comércio contra os benefícios brasileiros arrisca eliminar o principal incentivo fiscal ao setor no país e, assim, a própria continuação das unidades locais. Também houve rumores que o governo Temer poderia descontinuar a desoneração concedida ao setor.

“Em um mercado protegido como o brasileiro, você consegue justificar ainda uma produção local, então o que estamos solicitando ao Ministério e à Anatel é que nos ajudem a implementar definitivamente uma política industrial para telecom no Brasil para que a indústria possa ter segurança. A OMC esta questionando Lei de Informática, e alguma punição virá. Se a situação não for mudada, vamos ter grandes dificuldades e passaremos a não ter mais indústria no Brasil”, afirmou o presidente da Nokia, Aluizio Byrro.

Como lembrou o presidente da Ericsson no país, Sérgio Quiroga, o cenário global também não é animador nesse sentido. “A Suécia fechou fábricas e não tem mais produção. Depois de perderam 3 mil empregos, porque o sueco vai se preocupar com 1,5 mil empregos no Brasil?”, ponderou.
A NEC, que fechou a unidade que tinha no Brasil há quase duas décadas, diz que ainda avalia periodicamente voltar a ter produção local, mas os números não ajudam. “Normalmente não vale a pena fabricar no Brasil. Mesmo nos casos em que haveria algum ganho, não vale o risco”, diz presidente da fabricante japonesa, Daniel Mirabile.

Fonte: Convergência Digital